Feed Rodolfo Escritor

sábado, 31 de dezembro de 2011

Ano Novo Longe da Mamãe


Depois de escrever de última hora o conto “Assassinato no Natal”, não tinha projetos de escrever nada para o ano novo. Alguns amigos até me perguntaram o porque da minha decisão. Sem respostas! Apenas não havia nada em mente.

Para o ano novo, nada de ficção. Só quero deixar aqui meu desabafo, um grito preso na garganta e que não pode ser solto. Esse é o quarto ano que passo longe da minha mãe e nesses tempos de Natal e Ano Novo, por algum motivo, sinto mais a falta dela do que senti nos últimos anos. Não que nos outros a saudade não tenha sido grande, mas é que esse ano foi diferente para mim. Alguns problemas pessoais me deixaram muito mal, abalado com a vida... E nesses momentos em que eu mais precisei daquele abraço de mãe que não tem outro igual, eu não a tive por perto.

Falando assim até parece que eu não tenho pai. Tenho sim e gosto muito dele, mas nossa relação não é tão próxima como antes, embora moremos juntos.

O grupo de rap gospel Ao Cubo diz em sua música “Filhos”, o seguinte:

“Não sou mais aquela criança contente, nem você aquele pai tão presente...”

O tempo me trouxe experiências e aprendizados e com isso aprendi a lidar com certas situações. Não que meu pai não me apóie, mas (como posso dizer?)... Sei lá! Tenho que admitir que não tenho tanto apego a ele. Sempre fui mais apegado a minha mãe e sei que isso vai durar para a vida toda.

Enfim...não vou estender esse desabafo, pois a ideia aqui não é quantidade. Apenas encerro falando da grande saudade que eu tenho da “véia” (como eu carinhosamente a chamo). Embora estejamos separados por mais de 2.000 km, no coração estamos unidos, juntos para sempre... Te amo mãe!


sábado, 24 de dezembro de 2011

Assassinato no Natal


Era Natal! Um dia lindo, sem igual. E foi justamente naquele lindo dia que eu tomei a pior atitude da minha vida. Atitude essa que vou carregar em minha mente para sempre.

Qual era a minha situação na época? Desempregado, abandonado pela família, fugitivo do manicômio e o pior... usuário de todas as drogas possíveis e imagináveis. Com sete passagens pela polícia (todos por assalto à mão armada) e com o caixa quase zerado, minha vida estava um verdadeiro inferno!

Sem emprego, roubar era a única forma que eu tinha para conseguir dinheiro e trocar por drogas. Só que estava difícil até de roubar: os “home” (polícia) estavam em uma operação de paz na comunidade e eu não consegui repor a grana que gastei nos últimos dias. Como “cliente especial”, consegui do chefão uma permissão para levar drogas e pagar depois. Eu não sabia, mas aquela foi a pior regalia que eu já tive na minha vida... Pode acreditar!

Passaram-se alguns dias e meu estoque acabou: sem dinheiro, sem drogas. Mulher a te mesmo amigos eram coisas do passado. Foi aí que as coisas pioraram.

Já estava sendo cobrado pelo chefão que, após várias tentativas de paz, foi até meu barraco as seis da manhã, arrombou a porta e me acordou com uma arma apontada para a minha testa, dizendo:

¾ Ou você me paga até amanhã meio-dia, ou pode preparar o caixão.

Eu tremia e suava. Estava muito tenso e só consegui responder:

¾ Tá-tá... tá bom.

¾ Amanhã... Meio-dia. Lá em cima!

Eu estava totalmente ferrado: sem dinheiro, sem drogas e agora jurado de morte.

Porra!!! Isso não pode ficar assim. Pensa, mano. Pensa!

Eu tinha que fazer alguma coisa, se não eu iria morrer no dia seguinte. O fato é que eu já estava loucão a essas alturas do campeonato... A abstinência de dois dias sem usar drogas já me dominava e meu raciocínio já não era tão bom. Só me sobrou uma opção: roubar. Mas como roubar com a polícia no morro? Já sei.
Minha única chance era o "busão". A polícia não entrava nos ônibus; estava fácil. Peguei meu revolver, encaixei-o dentro da caixa com o cabo para fora e cobri com a camisa. E fui... Saí de casa com uma angústia no peito; algo me dizia que eu não voltaria.
A polícia estava rondando por lá: viaturas, homens fardados e até à paisana. Não ser pego seria sorte. E por falar em sorte, consegui escapar da revista. Eu estava bem vestido; de boné e óculos escuros. Acho que não despertei suspeitas.
Cheguei no ponto de ônibus. Olhei para um lado... ninguém! Olhei para o outro... uma mulher grávida. Só eu e ela no ponto. Eu estava nervoso, sei lá! Parecia que estava com medo de fazer o que fiz durante tanto tempo. Enfim, o ônibus passou e ela subiu primeiro, seguida por mim. Assim que entrei, passei o olho por todo o ônibus: algumas cadeiras ocupadas, outras vazias... Diria que metade do ônibus estava ocupado. Enrolei um pouco lá na frente. Minhas pernas tremiam feito vara verde; estava meio zonzo (acho que era o efeito da abstinência). Saquei a arma e resolvi assaltar o assalto:
 ¾ Aê, aê. Isso é um assalto! Todo mundo passando a grana. Vai! Vai! Vai!
A primeira vítima foi um senhor que estava na frente, depois "rapei" o cobrador e parti para a parte de trás do ônibus. Vi novamente a grávida, e em seus olhos o pânico. Ela estava lá no fundão.Não pretendia machucá-la, mas as coisas não funcionaram como eu havia planejado...
Ao lado dela estava um rapaz de cabelo espetado e de óculos escuros também. Já estava na metade quando ele me grita:
¾ Aí moleque! Abaixa essa arma! Polícia.
Ferrou.
Não, não e não! Era tudo o que eu não queria aquelas horas: um policial a paisana.
¾ Não, mano! Foi mal, mas isso aqui é para pagar uma dívida.
¾ Não quero saber! Abaixa essa arma ou você vai tomar tiro!
¾ Não vou abaixar.
Eu realmente estava decidido a não abaixar a arma. Foi aí que o motorista fez uma curva brusca e eu caí e o policial também. Ele disparou a arma e me atingiu no braço. Que dor aquela! Eu tremia e não conseguia focar no policial. Foi quando eu atirei... e acertei... a mulher grávida! Justo ela. Inocente, ela não merecia aquilo.
Ela gritava, meu Deus como ela gritava. Ao ver aquilo perdi minhas forças; meu braço doía muito e quando dei por mim, já estava imobilizado pelo policial.
A grávida parou de gritar e o sangue escorria dentro do ônibus. Antes de ser levado, ainda pude vê-la por uma última vez: estava caída, de olhos abertos, sem piscar... Ela havia morrido!
Como aquilo me atormenta até hoje. Um ano já se passou e me lembro daquela cena como se fosse hoje. Aquela terrível tarde me atormenta todos os dias. Hoje, preso, descobri de alguma forma que não sei explicar, o verdadeiro sentido da vida: o amor, o carinho, o afeto. Coisas que eu não tenho há muito tempo e que eu tirei de uma família. Hoje é Natal e comemoraremos entre nós, detentos. Só me resta a certeza de que Deus perdoa aqueles que se arrependem de verdade e que o próprio nos dá uma nova chance.
Foi preciso uma grande desgraça acontecer para que eu abrisse meus olhos para tudo de tuim que eu estava fazendo. Hoje não penso mais em drogas, bebidas, roubos etc. E hoje também descobri que a felicidade é o que mais importa nessa vida, independentemente de onde e com quem você está. Tudo depende de você!
Hoje sim, por incrível que pareça, sou feliz!
Anthony Lima
25/12

sábado, 17 de dezembro de 2011

O Enfermeiro e a Paciente

Ai caramba, de novo não!

--- Mãããããããe. Eu “tô” passando mal, mãe. Me leva para o hospital, por favor!

Pois é, foi assim que começou aquele dia em que eu conheci essa praga na minha vida que é o Lucas! O Lucas é um enfermeiro que me viu durante cinco dias seguidos quando eu adquiri uma doença que nem eu, nem o doutor, nem ninguém descobriu até hoje. Eu estava bem, quando de repente eu caía ou vomitava, sei lá! Muito estranha! E não deu outra, todos os dias eu estava lá, mas o que quero contar, primeiramente, aconteceu no primeiro dia.

E lá estava eu, após passar no consultório do Rômulo, esperando o(a) enfermeiro(a) me chamar para tomar um lindíssimo soro com Buscopan na veia (naquele dia eu estava com muita dor!). Fui irônica  agora não é? Eu já estava cochilando (de tanto esperar...) quando o cidadão me chama:

--- Camilaaa!!!

Juro que quase respondi assim:

--- Com um grito desse, meu filho, você acorda até os mortos!

Mas eu deixei para lá. Resolvi não me estressar mais do que aquilo. O pior de tudo: não deu jeito! “Se liga” no diálogo:

--- Olá moça, tudo bem?

A vontade era de responder: “Nããão!”

--- Mais ou menos, apenas uma dorzinha básica.

Ele não havia olhado no meu rosto ainda, e quando isso aconteceu... (mas porque isso foi acontecer?).

--- Nossa! Você não é aquela menina lá da festinha do Rafael?

--- Ham... Não!

--- Lógico que era você. Num foi com você que eu “fiquei” aquele dia? Foi sim, foi você!

--- Ah, você tem certeza?

--- Tenho sim! Certeza absoluta.

--- Mas não foi eu não, meu anjo.

Para quê que eu fui falar “meu anjo” ?

--- Claro que foi você! Você me disse isso lá. Não lembra?

--- Meu filho, não foi eu não, caramba!

Bom, por lei, as Camilas já são nervosas, complicadas, enfim... Mas eu sou pior! (modéstia à parte). E aquele moleque não me conhecia. Não me conhecia mesmo.

--- “Ow”, dá para acertar logo minha veia aí?

--- Calma aí meu amor. Você está muito nervoso, se acalma!

--- Eu? Eu não estou nervosa.

Mentira, eu estava sim. Morro de medo de agulha.

--- “Tá” sim.

--- Num “tô” não.

--- “Tá” sim.

--- Num “tô” não.

É, já deu para perceber que a gente se deu bem, não é? Foi assim os cinco dias. Embora fosse causas diferentes, todos os dias eu ia tomar alguma coisa na veia. Aff! E ele me disse que iria sair na próxima semana, pois havia arrumado um emprego melhor. Aí eu pensei e (juro!) quase falei: “Porque não fiquei doente na próxima semana? Oh meu Deus!”. Daí ele pegou meu MSN, Orkut, Facebook, telefone... Na hora tive uma ligeira impressão de que ele iria ficar me perseguindo. Sei lá, foi apenas uma intuição.

E o pior é que a minha intuição estava certa! Pensa num rapaz lindo, mas chato (muito chato) é esse Lucas! Se ele não fosse tão chato, até poderia rolar uma química entre nós, mas não dá mesmo. O moleque me liga; se não atendo ela manda mensagem. Aí eu não respondo a mensagem e ele vai mandar recado em todas as redes Sociais. Ai como isso me irrita!

Tudo bem que essa não é culpa dele, mas tamanha é a “zica” de ele estar no lugar certo na hora errada que... Por favor, isso são fatos verídicos!
 






Vou contar: em um belo dia de domingo eu e a minha mãe fomos ao mercado comprar ingredientes para fazermos aquela carne de panela (Hummm...). De repente, quando chegamos no açougue, quem estava lá? O Lucas, é claro! Ele saiu de seu uniforme para me dar um abraço que eu não deixei. O engraçado é que ele olhou com uma carinha tão bonitinha que deu dó dele. Aí eu disse:

--- Tá bom, pelo menos o beijinho no rosto... Com a mão para trás, por favor.

Ele riu, mas só me deu o beijinho mesmo. Daquele dia em diante, nunca mais entrei naquele super-mercado. Pelo menos ele me provou que era trabalhador: num sei se era ele o melhor emprego que me falou, mas ele foi de enfermeiro a açougueiro em alguns dias...

Já estou terminando meu pequeno (pequeno?) relato, mas antes tenho que dizer que... ele é muito chato! Aaaahhh, eu vou dar uns tiros nele! Pronto, agora que desabafei, é melhor eu ir né? Vai que ele aparece aqui enquanto eu... O quê?

--- O que você está fazendo aqui, Lucas?







sábado, 10 de dezembro de 2011

Sentimentos


Em meio a tantas palavras
Não encontro uma (umazinha!) pra dizer
Qual o sentimento
Que eu sinto por você

Esse seu olhar lindo
Esse seu sorriso perfeito
Olhando para mim e sorrindo
E eu como sempre, sem jeito...

Não sei o porque que estou escrevendo essas palavras
Não sei, acho que para guardar...
O futuro é incerto
E não sei o que dele esperar

De tantas coisas que já vivi
Você foi a melhor que me aconteceu
Meu jeito mudou, minha alegria voltou...
Nem parece eu

Não sei se é amor,
Não sei se é paixão...
Bom, seja lá o que for
É seu meu coração


O Homem da Máscara Permanente


Toda garota tem um sonho; comigo não é diferente. Um emprego, uma faculdade, um carro. Meu sonho (meu único sonho!) é ter aquele garoto para mim. De que adianta eu ter tudo, se não o tenho? O mundo não faz mais sentido para mim...

Eu tenho bastante, estudo em uma universidade conceituada e tenho o apoio de toda a minha família. Na teoria, era para eu ser muito feliz; ah, eu até sou, mas sinto que falta uma parte em mim... A parte que ele levou quando nos despedimos aquela noite depois da festa de debutante da minha prima. De verdade, eu não sei quem é aquele cara, nem de onde veio. Para piorar a situação, nem a minha prima sabe, nenhuma de suas amigas sabe! E o que ele foi fazer lá aquela noite? As vezes fico brava ao pensar que sua presença só me fez bem aquela noite... Porque depois, ele foi embora e não voltou mais. E eu fiquei aqui, sofrendo por ele. Ah, meu amor. Cadê você?. Todas as noites eu penso, penso, penso e espero... Espero ele aparecer na minha janela para que eu possa sorrir de novo.

A esperança é a última que morre e enquanto eu viver acreditarei e confiarei na sua volta. Todos veem em minha face, eu já não sou a mesma! Já não saio mais com minhas amigas, já não tenho mais aquele ânimo de antes... E eu admito (preciso admitir!) que sinto sua falta. Garoto, eu vou ter você para mim novamente. Mesmo que ninguém acredite, o que importa sou eu acreditar. É, é o que importa...

Jamais esquecerei aquela noite que nos conhecemos. No baile de máscaras ele...ele me tirou para dançar. Eu não estava bem, na verdade nem queria ir, mas fui assim mesmo em consideração a minha prima. Mas agora eu vejo que, sem dúvida, foi a melhor decisão que já tomei em toda a minha vida, afinal, o conheci! Dançamos juntos aquela inesquecível valsa: minha máscara permitia ver um pouco do meu rosto, mas a dele não permitia que eu visse nada.

Enfim... Ele chegou em mim, estendeu-me aquelas mãos com luvas de borracha e beijou-me no rosto. Que suavidade, que perfume... Ali ele já me ganhou. Passamos uns dois minutos sem dizer nada, apenas curtindo o momento e dançando. Enfim ele perguntou qual era o meu nome; eu respondi. Mas ele não disse qual era o seu; apenas disse:

--- Eu sou aquele que veio para te fazer feliz esta noite.

Jogamos um pouco de conversa fora enquanto dançávamos e depois que acabou a valsa nos retiramos da festa. Ai meu Deus, como eu estava encantada por ele! Aqueles gestos, sua voz, sua forma de me tocar... precisava ver o rosto dele; era hora de tirar as máscaras.

Aquele momento também se tornou inesquecível para mim: o rosto dele era...era...estranho! Com praticamente toda a parte esquerda de seu rosto queimada, ele me lembrava o Fred Krueger. O lado direito porém, era lisinho, perfeito! De seus olhos saíam lágrimas e as palavras que me disse tocaram o meu coração:

--- Essa é minha máscara... permanente!

Aquilo foi um baque para mim e, acredito, um desabafo para ele. Não sei se consegui responder a altura...

--- Você é especial! O que vale não é isso aqui (toquei seu rosto suavemente)... é isso aqui! (toquei no lado esquerdo de seu peito onde fica o coração).

Nos beijamos longamente; nos abraçamos por um bom tempo. Tenho certeza de que nunca vou vivenciar outro momento como aquele.

Não sei o que mais me prendeu nele (se foi seu jeito, o modo como ele falou comigo ou seu emocionante choro), mas aquele cara me marcou. Passei-o a chamar de “O Homem da Máscara Permanente” e não posso negar que choro ao pensar em como ele está, onde ele está, com quem ele está... Meu grande amor, eu ainda vou ter você para mim!


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Amizade de Busão (Parte 2)

Um certo dia eu estava mexendo no meu celular; pronta para apagar vários números que eu não usava há séculos.
Já tinha apagado todos os não-utilizáveis até chegar na letra “R”. Vi seu nome e, por algum motivo, eu não o deletei da minha agenda. Fiquei matutando comigo mesma e pensando quem era aquele garoto...
De repente lembrei que era a pessoa que havia puxado conversa comigo “do nada” após o ônibus ficar emperrado no trânsito (e que trânsito estava aquele dia!)...
Juro que fiquei me perguntando porque aquele cidadão olhava tanto para mim... “Será que a minha camisa está suja?”, “Minha maquiagem está borrada?”, ou “Será que eu estou linda demais?”.
E você que sempre fala que eu sou linda... Mas não havia motivos explicáveis. “Te achei bacana”. Foi o que você me disse.
Resolvi então mandar uma mensagem cumprimentando-o e você logo me respondeu. Daí para frente, não paramos mais.
E hoje sei o motivo pelo qual falou comigo: você pode ver o futuro, pois estava escrito que seríamos grandes amigos.
E digo mais: hoje eu sei quanto a sua amizade vale a pena. Todos os momentos que passamos juntos de três meses para cá, fizeram valer aqueles três meses que levamos para descobrir essa amizade. Os momentos felizes em que rimos juntos e aqueles tristes em que unimos nossas forças para ultrapassá-los juntos.
Mesmo que me dessem um colar com brilhantes e outras pedras preciosas, não chegariam nem perto do valor da sua amizade... Pois ela não tem preço e nada pode pagá-la (nem Mastercard!)



sábado, 26 de novembro de 2011

Amizade de Busão


Doce foi o dia em que te conheci naquele “busão” lotado; você parada ali na minha frente.
Eu te olhando durante todo o trajeto e pensando comigo: Eu tenho que falar com ela, eu tenho que falar com ela. Que hilário de minha parte...
E se você não falasse comigo? E se você virasse a cara? Tudo bem, não custava nada tentar.
Tentei...e deu certo! Puxei um assunto muito nada a ver com você (se eu não me engano foi a demora do ônibus, ou o trânsito. Algo do tipo).
Você falou comigo e continuou conversando. Que bacana! Ao nos despedirmos, peguei seu MSN (o que é de lei hoje em dia, não é?), adicionei você e fiquei a espera de nos encontrarmos On.
Quatro meses depois, caminhamos juntos rumo a felicidade. A verdadeira felicidade que nos mostra como a vida é simples: risos, conversas, amizade...
O dinheiro não consegue pagar a amizade e as alegrias que ela traz para nós.
Nessa caminhada, vemos as nuvens que nos ameaçavam se dissiparem para nunca mais voltar.
É a vez do sol: companheiro, parceiro de todos os dias quentes... Inspirador para uma ótima conversa, como todas as nossas.
Uma amizade diretamente do ônibus... Quem diria? Eu nem imaginava, você também não. Mas aconteceu. Ah que bom que aconteceu!
Vamos à praia? No fim da tarde vem aquela brisa... “Sim, claro que vamos, mocinho”.
Sentamo-nos na areia. A praia está quase vazia e os poucos que lá estão nos olham com uma interrogação: porque riem tanto? Qual o motivo de tanta felicidade?
Sinceramente não sei, mas de uma coisa eu sei: infinitos risos dávamos a contemplar o por-do-sol.

Paciência


Mais alguns minutos ao seu lado; mais uma ótima conversa; mais uma troca de olhares. Muito bom! Aliás, tudo ao seu lado se faz bom, melhor, mais interessante... Garota, você tem o poder de fazer os outros se apaixonarem por você. Foi assim comigo, foi assim com outros... O que você faz? Você diz não saber, e a gente vê que é inconsciente, correto?

A culpa não é sua por eu ter me apaixonado por você, minha flor (como eu costumo te chamar). E a culpa também não é sua de ainda gostar de quem não quer mais saber de você. E nesse triângulo ninguém tem culpa...foi tudo o destino.

E agora? Agora, como sempre, sobra para o “tiozão” aqui se dar mal! O que para mim, já é normal. Juro que fiz tudo o que pude para te convencer de que eu era a pessoa certa para você, mas você fez o quê? Pediu um tempo...tempo esse que já corre há vários meses. Tempo, o senhor de razão, que parece estar de mal comigo.

A verdade é o seguinte: quando se tenta uma coisa por muito tempo e não se vê resultado, suas forças acabam. Assim está sendo comigo!

E se não for você? Paciência...

sábado, 19 de novembro de 2011

Dançando na Chuva (Parte 2)


E eu, amante da chuva que sou
Não posso ouvir o barulho de uma
Que já saio correndo...
Dançando na chuva

Numa dessas noites, lá estava eu
Fazendo a minha performance
Quando um rapaz para o carro e fica me olhando
Dançando na chuva

O olhar dele era sincero,
Ele tinha um sorriso misterioso...
Mas foi para ele (e só para ele!) que eu fiquei
Dançando na chuva

Aquela foi apenas a primeira de muitas noites
Que ele iria me ver.
Bastava chover, e ele sabia que eu estaria lá...
Dançando na chuva

Depois de um tempo (várias chuvas, por sinal),
Em uma noite senti meu coração bater mais forte.
O que era aquilo? Não sei, mas eu continuava
Dançando na chuva

Eu queria falar com ele, mas tinha vergonha...
E bastou um sorriso para tudo mudar
Quando vi por mim, estávamos nós dois
Dançando na chuva

Ele dançava bem... e saía comigo em todas as noites de chuva.
Não há sol que pague o quanto nos divertíamos.
Eu e ele; nos molhando...
Dançando na chuva

sábado, 12 de novembro de 2011

Dançando na Chuva


Preciso confessar: minha vida mudou!
Sim, ela mudou depois que eu te vi pela primeira vez.
Aquela noite você estava linda, deslumbrante...
Dançando na chuva.

Não sei se você me viu (acredito que sim)
Mas o que importa é que eu te vi
Aquela noite...
Dançando na chuva.

Parei meu carro só para ficar te olhando
E não me arrependo de ter descido
Para ficar me molhando e ver você
Dançando na chuva.

Poxa, que sorriso, que olhar aquele seu...
Não sei, mas acho que me apaixonei.
Foi maluco, mas só aconteceu porque te vi
Dançando na chuva.

Sim! Dançando na chuva.
É assim que te vejo sempre.
Pego o meu carro e vou te contemplar...
Dançando na chuva.


*Poema classificado em oitavo lugar no VI Concurso de Poesia da UniABC

*Inspirações
  • Have You Ever See On The Rain - Creedence
  • The Adventures Of Rain Dance Maggie - Red Hot Chilli Peppers
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sábado, 5 de novembro de 2011

Um Halloween Inesquecível


Dia 30 de outubro e está quase tudo pronto para o Halloween na escola Neverville, norte do Texas, Estados Unidos. Os alunos estão ansiosos para a grande festa das “doçuras ou travessuras” que o diretor novo preparou. O novo diretor é o Sr. Richard Gibb, um cara muito, muito estranho com umas atitudes nada normais. Ninguém sabe o porque, mas na sala dele tem sempre duas velas de sete dias acesas (uma em cada ponta de sua mesa) e logo acima de sua cabeça, uma bandeira preta com a estrela de seis pontas.


A grande maioria das pessoas encaram o Halloween apenas como uma festinha, uma data comemorativa. Mas essa data tem uma história que poucos conhecem...

Reza a lenda que o Halloween vem de muito tempo atrás, com os celtas antigos que habitavam a Grã-Bretanha e a Irlanda. Na lua cheia mais próxima de 1º de novembro, eles celebravam a festa de Samhain, que significava “fim do verão”. Eles acreditavam que durante essa celebração se abria a porta entre o mundo humano e o mundo sobrenatural, e que os espíritos bons e ruins vagavam pela Terra. Cria-se que as almas dos mortos voltavam aos lugares onde moravam em vida e por isso as famílias separavam comidas e bebidas para seus visitantes do além na esperança de instaurar a paz entre eles. Com o passar do tempo, as comidas e bebidas foram substituídos por doces e guloseimas que são pedidos todo dia 31 de outubro pelas crianças eu nem sabem de onde vem isso.

Richard Gibb tinha uma razão para ser estranho: ele participava (na verdade ele era líder) de uma seita que acreditava nessa lenda e que todos os anos tentavam abrir esse portal, porém sem sucesso. A seita tinha seus encontros, seus rituais macabros a só tinha um grupo selecionadíssimo de treze pessoas que juraram, sob pena de morte, ficarem em silêncio a respeito da seita / sociedade secreta. Após o fracasso do último ano, eles intensificaram suas pesquisas e juraram a si mesmos que se nesse ano não conseguissem abrir o portal, colocariam um fim na sociedade. Não só na sociedade, mas em suas próprias vidas. E após oito meses, suas fontes de pesquisa revelaram o lugar onde seria abertura do portal. Neverville, esse era o local. Pouca gente sabia, mas onde se situava a escola, antigamente era o ponto de encontro de bruxos e bruxas que buscavam o encontro com os espíritos.

Enfim, 31 de outubro. Durante o dia terminaram os preparativos para a grande festa de Halloween: espalharam abóboras e tudo mais pelo pátio descoberto do colégio e terminaram com o estranho pedido do diretor Gibb: estenderam bem alto aquela bandeira com a estrela logo acima do local onde ele faria o discurso de abertura da festa.

Começou a escurecer e a galerinha foi chegando com suas abóboras e bolsinhas vazias; ansiosas por enche-las. As 19h30 Gibb subiu no palanque. Ele estava visivelmente tenso; o que todos estranharam, pois ele era muito frio e nunca se apresentara daquele jeito. Disse algumas palavras e terminou com algo inesperado:

--- Pessoal: gincana! Quem conseguir mais doces ganha essa abóbora (levantou bem alto uma abóbora gigante, de uma cor diferente e um brilho enorme que ardeu os olhos dos alunos). Vão lá,corram e não esqueçam do quê?

--- Doçuras ou travessuras?! Gritou um coro de cerca de 400 alunos presentes.

Pronto, tudo havia funcionado com planejado: ele já havia afastado todo mundo dali. Pegou a abóbora “especial”, tirou de dentro alguma coisa com uma luz muito forte. Abaixou a bandeira e, após colocá-la no solo, colocou “a luz” bem no meio da estrela. E em cada ponta colocou um objeto: um trevo, uma pedra, uma faca, um saquinho com fios de cabelo, um livro de magia negra e ficou de joelhos sobre a ponta que faltava. Os outros doze integrantes saíram de dentro da escola e se juntaram a seu líder para começar o ritual. Deram as mãos e gritaram em uma só voz:

Espíritos, oh espíritos que pairam sobre um plano de nós; voltem! Voltem e pratiquem todo o mal que vocês aguardam tantos anos para isso. Chegou a hora!

Luzes muito fortes começaram a brilhar diante deles, raios no céu, barulhos estrondantes e ensurdecedores... De repente o portal se abre e começa a sair os espíritos. Ouvem-se risadas maléficas por toda parte e um vento muito forte fazemos voar para longe. Apenas um fica estático: Richard Gibb.

Ele abre os olhos e vê os espíritos rondando-o rapidamente enquanto um deles começa a falar alguma coisa em uma língua não identificada por ele. Aquele vento se torna um vento sugador e ele vê seus doze escudeiros, um por um passando na frente dele e entrando no lugar de onde saíram os espíritos; com eles passavam cadeiras, mesas e demais objetos que estavam por perto. Agora ele está assustado, teme ser o próximo. Mas tem o pensamento de que partiria com o dever cumprido caso acontecesse algo com ele.

Somos muito gratos por ter nos libertado, Richard Gibb. Mas não podemos deixar aqui aquele que pode fechar o portal e nos mandar de volta para aquele lugar onde passamos todos aqueles séculos.

Aquela voz grossa e assustadora deveria ser a do chefão. Enquanto isso, o resto da “trupe” espalhava o terror e a destruição em toda a Terra, já que não encontravam suas comidas e bebidas que antigamente eram deixadas para a paz.

De repente algo mudou: toda aquela ânsia para abrir o portal, libertar os espíritos...havia se tornado um pesadelo. Ele estava com medo, mas era o único que poderia acabar com tudo aquilo. Era simples: só precisava quebrar aquele objeto luminoso que estava no centro da estrela. Aquilo era a chave; uma poção descoberta através do livro de magia que também estava em uma das pontas.

Como de súbito, pegou a faca e enfiou com toda a força no plástico onde estava a poção, que vazou todinha na bandeira. Na mesma hora o vento começou a sugar os espíritos para o lugar de onde vieram, até mesmo aqueles que já iam longe... Gritos ensurdecedores se ouvia ali no pátio do colégio Neverville.

Você será o próximo! Disse novamente aquela voz grossa.

Logo depois o portal se fechou. Richard Gibb estava em pânico: “Você será o próximo!”, “Você será o próximo!”. Aquilo não saía da sua cabeça, o mundo dava voltas...

É verdade. Disse ele de repente.

E de repente pegou a faca e sem hesitar a inseriu lentamente no seu estômago. Ele foi o próximo.

A cidade inteira, o mundo inteiro estava em pânico, as pessoas não sabiam o que fazer... Seria difícil explicar o que aconteceu naquela noite de Halloween. Esquecer então? Jamais!

sábado, 29 de outubro de 2011

Sinto Falta de Você


Anjo bom, amor perfeito no meu peito. Sem você não sei viver”. Acho que Roberto Carlos já disse tudo o que eu precisava dizer. Eu não sei como você está, nem onde está, mas tudo o que fizemos juntos ficou marcado.

Me lembro de tantas coisas, tantos momentos bons que passamos: aquele cineminha na primeira vez que nos vimos (após nos conhecer pela internet). Depois teve aquela noite chuvosa (você se lembra dela?) quando saímos por aí abraçados e trocando muitos beijos molhados sem estar nem aí para a vida. Também me vem à mente lembranças da festa surpresa de aniversário que você organizou para mim... Enfim, foram muitos momentos. Momentos que ficaram e que me fazem entristecer sempre que lembro (cá pra nóis, quase sempre).

Tudo começou diferente já como nos conhecemos: a internet. Tudo bem que é normal vários casais saírem de Redes Sociais, mas você... você é especial! Você tem um jeitinho meigo que me encantou demais.

Foi tudo muito natural, sem forçar nada. Começamos a namorar e... e... você partiu. E levou junto com você um pedaço do meu coração. Porque você se foi? Porque seu pai tinha que ser transferido de emprego logo agora? Não há respostas. Me recordo de você me abraçando, me beijando e em lágrimas, dizendo que tudo estava acabado. Muito triste!

Fiquei e estou triste ainda, porque eu posso dizer que te amei e que, mesmo um ano depois de te ver pela última vez... penso em você, sinto falta de você! Isso se chama saudades e a única coisa que posso afirmar com certeza. O resto, tudo é incerto.

sábado, 22 de outubro de 2011

O Último Texto


Juro! Juro que não aguento mais essa fase que estou passando. Sem dinheiro, sem família, sem uma companheira... Sem ninguém! É assim que me encontro.

Todos falam para eu não desistir, que dias melhores virão, que eu vou sair dessa... Mas depois de tantos anos nessa situação, suas forças fogem de você como a raposa foge do caçador, ou os peixes do tubarão.

Nesse momento estou subindo até o último andar do prédio onde moro; colocarei literalmente um ponto final em toda essa merda que eu estou vivendo (desculpem por me rebaixar, mas esse provavelmente é meu último texto e para mim, não fará diferença palavras bonitinhas ou feias).

Primeiro foi a família: em uma noite de domingo, após discutir com minha madrasta, meu pai me colocou ‘gentilmente’ para fora de casa. O motivo da briga? Bom, eu não tive dinheiro para pagar a fatura do meu cartão de crédito e, ao pedir dinheiro emprestado... vocês já sabem o que aconteceu.

Não tinha para onde ir, não tinha mais ninguém da minha família e tive que pagar uma pensão por algum tempo. Depois, fui “rebaixado” e meu salário diminuiu em 30%.

Tudo isso e mais uma sequência de azares; anos vivendo sem dinheiro, devendo a agiotas e bancos, sem carro, sem casa (quer dizer: eu estou igual ao Seu Madruga: nunca pago o aluguel) e... chega! Cansei de contar desgraça.

Acabo de chegar onde queria e agora encontro-me a setenta e oito andares da morte. Deixo aqui esse meu texto final e espero que alguém o encontre algum dia.

Penso, hesito... Mas não há outra alternativa: vou de encontro ao meu destino.

Adeus!

Seus Efeitos

"Meu peito bate forte, meu corpo estremece, a voz vai embora... É você chegando!"

sábado, 15 de outubro de 2011

"Os Homens que Não Amavam as Mulheres" - Trailer Dublado



Se tem resenha tem que ter o Trailer não é? Então aí vai... Pra você ficar com mais vontade ainda de ler e ver "Os Homens Que Não Amavam as Mulheres"

Os Homens Que Não Amavam as Mulheres


Mikael Blomkvist, Lisbeth Salander, Erika Berger, Henrik Vanger, Harriet Vanger, Martin Vanger, Dirch Frode, Hans-Erik Wennerstrom... Quem são esses? Personagens principais do primeiro livro da Trilogia Millenium, escrita por Stieg Larsson: sueco, nascida em 1954 na cidade de Skelleftehamn.

"Os Homens Que Não Amavam as Mulheres", que traz suspense e ação do começo ao fim, conta a história de Mikael Blomkvist, jornalista e editor-chefe da revista que dá nome à trilogia. Condenado a três meses de prisão por um artigo, digamos "sabotado". Esse artigo incriminava Hans-Erik Wennerstrom, homem de negócios muito conhecido e respeitado.

Com sua carreira em queda livre, surge Henrik Vanger e propõe a Blomkvist que faça uma biografia da família, que por sinal, é muito grande. Porém, sua missão não é apenas escrever uma biografia da família Vanger, mas também investigar o desaparecimento de Harriet Vanger, desaparecida quando sua família se reuniu para uma reunião de negócios do Grupo Vanger.

A princípio, ele não quer aceitar nem ferrando, mas Henrik faz-lhe uma proposta irrecusável: o contrato seria por um ano e seu prêmio seria a cabeça de Wennerstrom. Contrato assinado!

Em sua jornada de escrita da biografia e investigação do desaparecimento de Harriet Vanger, Blomkvist conhece Lisbeth Salander: uma hacker magrela, genial de um comportamento meio estranho estilo "comigo ninguém pode". Mas apesar disso, ela é super inteligente e descobre tudo o que lhe é ordenado, comçando pela vida inteira do próprio Mikael, a pedidos de Dirch Frode e Henrik Vanger.

Escrito de uma forma sensacional, "Os Homens Que Não Amavam as Mulheres", é um livro de ficção policial que vai te prender e te surpreender a cada página. Vou correndo para a libvraria comprar o segundo volume da série: "A Menina Que Brincava Com Fogo", que traz por personagem principal Lisbeth Salander e dois assassinatos. Mas isso é tema para uma futura resenha.

Premonição 5


A morte está de volta no quinto filme da série “Premonição”, ou “Final Destination” se preferir. Dessa vez, o personagem principal se chama Sam (Nicholas D’Agosto). A Premonição acontece a caminho do local: uma ponte em construção. Após ver o que iria acontecer, ele dá o aviso:

--- Temos que sair, essa ponte vai cair!

Nisso, a primeira pessoa que ele chama e puxa pelo braço é sua ex (que era namorada até algumas horas antes) Moly (Emma Bell), depois vão: seu chefe Dennis (David Koechner), seu melhor amigo Peter (Miler Fisher) e seus companheiros de trabalho: Olívia (Jacqueline MacInnes), Isaac (P. J. Byrne), Nathan (Arlen Escarpeta) e Candice (Ellen Wroe).

Não vou descrever todas as mortes porque se não vai perder a graça, não vai ser surpresa... Mas como já era de se esperar, os oito escapam e tem que lhe dar com a fúria da morte, que não se deixa ser enganada. Nem quando se passa a vez de morrer...

Para saber mais só assistindo mesmo. Ah, e uma dica: assistam em 3D e preparem-se para ver muito, muito sangue com umas mortes muito ferradas (para não falar outra coisa) dignas de “Premonição”... Vale muito a pena.


sábado, 8 de outubro de 2011

Uma História Com Um Final Não Feliz


Sem data para não ficar no passado e para não se lembrar no futuro dessa triste história. História essa em que seu personagem principal, infelizmente, não teve um início, meio ou final tão feliz...

Estou falando de Adalberto. Afro-descendente, sem pai desde os dois anos de idade quando foi obrigado a fugir de casa com sua mãe. Essa que, por sua vez, era de um mundo obscuro: o das drogas e da bebida. Ele nunca citou o nome dela; deve ter seus motivos...

Aos sete anos de idade, Adalberto morava em uma favela de São Paulo e estava em seus primeiros anos na escola. O Bullying era seu parceiro há tempos. Isso é fato! Cor, classe social, “família”... Por isso tudo e mais um pouco ele era zoado na escola. Certa vez, as brincadeiras passaram dos limites e ele acabou reagindo: na hora do intervalo ele e seu agressor saíram rolando no chão. A galera, como já é de se esperar nessas ocasiões, formou uma rodinha em volta e começou a gritar: “Briga, briga, briga!”. Conclusão de tudo isso: ele foi expulso da escola. O diretor argumentou que ele tinha agredido o “moleque”, que saiu bem machucado da briga.

Morando em um barraco e com uma vida completamente infeliz, Adalberto queria mudar essa situação. Quando ele tinha seus treze anos, sua mãe o deixou. Mas ela não iria voltar nunca mais; havia morrido de cirrose em decorrência das altas doses de álcool que consumia diariamente.

E agora, o que seria dele? Para onde iria? O que faria da sua vida dali para frente? A única solução que ele encontrava era a de procurar a ajuda da avó, que morava na mesma cidade. Os dois foram separados pela mãe logo quando ele era pequeno. O motivo: ninguém sabia e jamais saberia! Ela nunca contou.

Sem ter para onde ir, achou um cantinho na casa da avó, que o recebeu com maior carinho. Ela morava num bairro nobre, onde ele não era mais zoado pelos vizinhos ou por qualquer um que passava na rua. Agora era uma nova vida, um novo começo.

Chegou a idade e o que era de se esperar, aconteceu. Adalberto arrumou uma namorada (muito bonita, por sinal) e, aos dezenove, principiava na faculdade cursando Medicina. Havia conseguido um bom emprego, ia bem nos estudos, mas algo mudou totalmente a trajetória da sua vida: um tiro nas costas durante um assalto enquanto ele voltava de uma festa com a namorada o deixou quase sem vida. Quinze dias na U.T.I., quando os médicos já não tinham mais esperança, ele abre o olho... seus batimentos cardíacos voltam ao normal e, como numa mágica, ele volta à vida. Porém, havia algo errado: suas pernas. Ele não sentia suas pernas, não conseguia movê-las. Estava paraplégico! Ficou muito abatido ao saber da notícia, mas a avó e a namorada (que eram sua família) deram aquela força e o reanimaram.

Com seus movimentos reduzidos à parte de cima do corpo, ele descobriu que tinha um dom: o dom da escrita. E se pôs a escrever. Escrevia sem parar: contos, crônicas, livros... Fazia daquilo o seu passatempo. A essa altura sua agora noiva já havia se mudado e, juntamente com a avó, faziam uma família feliz.

Mas, como eu disse no início, o final não é feliz e não tem data, nem idade para que a tragédia não seja lembrada no futuro.

À noite, quando todos dormiam, houve um vazamento no botijão de gás. O odor tomou conta da casa e invadiu o andar de cima, onde eles dormiam. O gás entrou nas suas narinas e matou todos asfixiados sem nenhuma chance de lutar para se salvar. Adalberto ainda acordou com o cheiro, já sufocado... Não conseguia falar, tentava gritar, mas a voz não saía. Nessa hora as pernas lhe fizeram muita falta. Foi uma morte ainda mais trágica que as outras duas, pois ele morreu agonizando. Sofreu até a hora em que não aguentou mais e seu pulmão encheu de gás. Trágico fim de uma família feliz.

Esse relato é para provar que nem todas as histórias têm um final feliz e que a vida não é um mar de rosas como queremos acreditar que ela é. Temos que encarar a realidade e sermos fortes, corajosos e perseverantes. Peguemos o exemplo de Adalberto, que não abaixou a cabeça em nenhum de seus obstáculos.


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Escrever


Muita gente fala que é perda de tempo, que não leva a nada, “que isso...”, “que aquilo...” Escrever é algo totalmente inusitado, sem noção e cá, pra nóis, muito louco! No papel, muitas vezes você solta o que quis dizer e não conseguiu, ou não pôde; você se declara; você xinga, esculacha... Pô, tem algo melhor que isso? Freedom, freedom! Aqui você é livre.

Contos, crônicas, artigos, poemas, poesias, relatos; tristes, alegres, amorosos, humorísticos ou de terror. Percebeu ao o que eu quis dizer? Galera, escrever é também ser flexível, contar um pouco de tudo. E mesmo que você só goste de Contos, algum dia na sua vida você já fez, ou vai fazer uma Crônica ou uma poesia.

Me arrependo por demorar tanto tempo para fazer este blog. Sei lá, eu tinha medo de não dar conta do recado, de faltar texto para postar... Mas Sérgio Simka disse em uma de suas aulas de Língua Portuguesa que, a partir do momento em que você aceita esse, digamos, “desafio” de sempre ter alguma coisa nova para blogar, automaticamente você mesmo se “força” a escrever e nunca vão faltar novidades. Digo isso por experiência própria! E tudo isso é verdade, pois desde que comecei com o blog, nunca me faltaram textos. Pelo contrário, sempre tenho mais de dois, três na fila de espera.

Escrever é atualizar-se. Escrever é desenvolver-se. Escrever é... bom, eu já defini; agora é a sua vez.


sábado, 24 de setembro de 2011

Acabou


Sabe, já faz tempo que eu queria te falar das coisas que trago no peito...”. Alguém conhece? Essa frase é da música “Versos Simples”, da banda Chimarruts. A música, que sempre está presente na minha vida, marca presença em mais esse texto.

Começando tão drasticamente o texto, a frase relata como eu estava dias atrás. Situação difícil essa de gostar de uma pessoa e não poder (ou não querer) falar. Aí o povo pergunta: “Você é doido, bebeu?” Não, não! Eu tenho meus motivos. Pô, não quero estar ao lado de uma pessoa durante uns dois anos e depois ter que dizer adeus. Entenda, seus planos são diferentes dos meus e nossas ideias não se batem. Consequência: eu sofri, e ainda estou sofrendo por causa disso. Até agora dói o coração quando lembro o momento em que você me disse, com a maior alegria, que estava saindo com um cara. Meu mundo desabou, minhas forças foram embora e só me restou um sorriso falso para mostrar que estava alegre por você... mas triste por mim.

Aí você me pergunta:

--- O que é que eu tenho a ver com isso?

Nada, simplesmente nada! O culpado sou eu que nunca disse nada pra você. Não acredito que você leia mentes ou coisas assim. Portanto, realmente a culpa não é sua.

E nesse momento difícil que eu estou passando, recebo uma mensagem que me diz em forma de conselho: “afaste-se, desapegue...”. Mensagem do século! Chegou na hora certa e está me ajudando muito. Essa é à medida que eu estou tomando: me afastando de você. Infelizmente fui obrigado a isso.

A vida continua...


Abraço de Amigo

Quem acompanha o blog, sabe que escrevo de um tudo um pouco por aqui. Reflexões, frases, opiniões, textos fictícios (românticos, tristes, humorados...). Alguns textos são bem profissionais, outros são relatos do que acontece comigo no dia-a-dia. Eis mais um!

Entre Facebook, Twitter, MSN e tudo mais, quem me conhece sabe que uso muito mais o Twitter. Sei lá: cheguei, parei, gostei... Poder colocar em frases o que a gente sente é um desafio bacana, principalmente quando usamos apenas 140 caracteres, não é?

Há alguns dias, eu estava mal, desanimado. Sabe essas recaídas que todo mundo tem algumas vezes? Pois é, esse foi o meu dia. Estava acessando em uma Lan House e twittei que precisava de um abraço, ou algo assim. Não deu cinco minutos e um amigo de Lan me assusta ao me dar um abraço. Poxa, fiquei muito feliz em saber que tem gente do meu lado não só para rir comigo, mas também para me apoiar nas horas difíceis.

O amigo é aquela pessoa que vai te apoiar na hora em que você mais precisará. Aquele que dirá a verdade e não passará a mão na sua cabeça quando for o seu momento de opinar. E um abraço de amigo nos momentos difíceis faz muita diferença. Eu fiquei bem feliz, me deu um ânimo e forças para continuar.

A dica de hoje é: nunca rejeite um bom abraço de um verdadeiro amigo!

sábado, 17 de setembro de 2011

"Sainha" Vermelha


Apresento-lhes Adriana: estudante do ultimo semestre de Letras e professora estagiária de Português. Planejando uma de suas aulas para uma sala de 3º ano do Ensino Médio, lembrou-se por algum motivo das aulas (na verdade, de uma aula específica) de Literatura Infanto-Juvenil. Lá no segundo semestre, a professora deu uma aula sobre as várias versões que temos dos contos de fada e pegou a “Chapeuzinho Vermelho” como exemplo. Foi comprovado, através dos livros levados pelos alunos, que há muitas (muitas!) versões da história. Incentivada por essa aula, ela elaborou uma atividade: escrever uma história que estivesse relacionada de algum jeito com “Chapeuzinho Vermelho”. O resultado foi proveitoso: ela gostou de todas as histórias, mas uma especial lhe chamou a atenção. Falava de atualidade, a Chapeuzinho Vermelho do século XXI que foi chamada pelo autor de “Sainha Vermelha”. Dizia assim:

Havia uma menina muito gatinha chamada Rafaela. Ela tinha dezesseis anos, era funkeira de plantão e estava no 1º ano de Ensino Médio. Era uma garota que gostava muito de vermelho e que sempre saía na rua mostrando “seus pernão” (como diriam os rapazes de português bem dito). Mas cá pra nois, eram umas pernas que... bom, vamos adiante.

Sua mãe sempre lhe avisava para ter cuidado com essas festas que ela ia. Bailes funk, heavens, enfim, sabia que o caminho que a filha estava seguindo não era dos melhores.

Com quinze anos, já tinha vivido algumas aventuras como sexo, drogas e bebidas. Sem contar no aborto clandestino que ela fez. Mas acho que ela fazia por onde, não é? Acho que sair na rua com o vestido estilo Geisy Arruda mostrando a calcinha era meio, digamos, chamativo. E ela... ela gostava. Em uma das centenas de bailes funk que ela já havia ido com essa idade, alguns homens a pegaram e, não contra a vontade dela, subiram seu vestido até acima da calcinha. Nossa, os caras deliravam, enquanto ela colocava o dedo indicador pensa aonde... Essa é apenas uma de suas experiências. E com isso tudo, esqueci de dizer que, por andar sempre de vermelho, e quase sempre de saia muito curta (vermelha), deram a ela o apelido de “Sainha Vermelha”.

Um certo dia, sua mãe mandou ela ir até a casa da sua avó (que morava pertinho) levar o dinheiro da sua aposentadoria.

--- Filha, pegue esse dinheiro e leve para a sua avó. É a aposentadoria dela.

--- Tudo bem ,mãe.

Rafaela estava “normal’ aquele dia. Vulgar como sempre com suas belas coxas de fora e um superdecote.

--- Filha, por favor, vista uma roupa menos extravagante. Você vai acabar se dando mal qualquer dia desses.

--- Ah mãe, relaxa! Eu sou gostosa mesmo. Tenho que mostrar meu “corpitxo”.

A mãe não respondeu; ela considerava a filha como um caso quase perdido.

A casa da avó não era muito longe, mais ou menos uns vinte minutos a pé. Rafaela sabia que todos olhavam para ela quando passava e, de propósito deixou uma moeda cair em frente a um certo carinha que ela considerou “bonitão”. Não teve vergonha nenhuma de virar as costas para ele e mostrar tudo o que tinha direito ao abaixar para pegar a moeda. O cara se excitou na hora e percebeu o sinal; a bola que ela estava dando para ele. Resolveu ir até ela. Uma coisa ela não sabia: estava lidando com uma bonitão... estuprador!

--- Oi gatinha. – Disse ele

--- Oi bonitão. – Respondeu.

--- “Ta” tudo bem?

--- Sim, sim. Já peguei a moeda.

--- Então beleza. Você está indo aonde?

--- Para a casa da minha avó.

Ela explicou a rua e ele falou:

--- Eu estou indo lá para perto, quer carona?

--- Ah eu quero!

Mal sabia ela o que iria acontecer. Ao entrar no carro, o rapaz começou a acariciá-la. Partiu da coxa e foi subindo. O negócio estava esquentando e ela gostando. Quando o cara apertou com força seu seio ela ficou com medo. Nunca havia tido aquela sensação, já que ia para a cama com um e outro (e sabia que isso iria acontecer com os dois). Mas ela estava estranha. Já não estavam mais no caminho da casa da sua avó e de repente ela avista um motel. Ela olha para ele, que sorri e dá uma piscadinha.

Eu nem preciso falar o que rolou no motel, não é? Mas preciso citar o que aconteceu depois. Após ter o prazer com Rafaela (que era muito boa de corpo e de cama, pensou ele), o cara não esqueceu de seus instintos. O medo dela havia passado quando entraram no motel. De repente, ele entra em um caminho estranho que só tem mato e o medo volta. Ele pára o carro, sai e abre a porta dela, que desce assustada. Daí ele parte para a agressão e a pega a força. Ela começa a gritar e ele diz:

--- Pode gritar! Ninguém vai te ouvir aqui. Não fez o que queria, que era ir para a cama comigo? Acho que você gostou...

Rafaela via a maldade nos olhos dele e disse em defesa:

 ---Acho que você também gostou. Vamos fazer de novo? – Disse ela se fazendo sensual.

--- Claro que vamos, mas agora do meu jeito.

Estuprou-a . Ao fim, foi se lavar no rio que estava do lado deles enquanto ela chorava com dores no corpo e ainda, para piorar, com olhos vendados. Ela temia por sua vida e sangrava. Não conseguia mais gritar por causa da mordaça que o cidadão havia colocado.

Quando ele voltou, tirou o resto da meia-calça quase transparente que ainda restava no corpo e a deixou totalmente nua.

--- Gostosa! Vagabunda! Não queria? Agora toma!

Ele estava começando tudo de novo. Ela pensava: “que gás!”. Àquela altura do campeonato estava inerte e esperando o pior. E o pior chegou. O cara tirou a venda, acariciou-a todinha novamente e pegou-a nos braços.

O que no início foi prazer, acabou no pior. Ele amarrou-a e jogou-a no rio. Consequentemente, morreu afogada. Só acharam o corpo cinco dias depois. Aquele belíssimo corpo, gélido, cheio de hematomas e nu, mostrava o triste e prematuro fim de uma garota que não soube ouvir os conselhos da mãe, nem cuidar de si própria. Ou melhor, não soube tomar as decisões certas.”



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