Feed Rodolfo Escritor

sábado, 31 de dezembro de 2011

Ano Novo Longe da Mamãe


Depois de escrever de última hora o conto “Assassinato no Natal”, não tinha projetos de escrever nada para o ano novo. Alguns amigos até me perguntaram o porque da minha decisão. Sem respostas! Apenas não havia nada em mente.

Para o ano novo, nada de ficção. Só quero deixar aqui meu desabafo, um grito preso na garganta e que não pode ser solto. Esse é o quarto ano que passo longe da minha mãe e nesses tempos de Natal e Ano Novo, por algum motivo, sinto mais a falta dela do que senti nos últimos anos. Não que nos outros a saudade não tenha sido grande, mas é que esse ano foi diferente para mim. Alguns problemas pessoais me deixaram muito mal, abalado com a vida... E nesses momentos em que eu mais precisei daquele abraço de mãe que não tem outro igual, eu não a tive por perto.

Falando assim até parece que eu não tenho pai. Tenho sim e gosto muito dele, mas nossa relação não é tão próxima como antes, embora moremos juntos.

O grupo de rap gospel Ao Cubo diz em sua música “Filhos”, o seguinte:

“Não sou mais aquela criança contente, nem você aquele pai tão presente...”

O tempo me trouxe experiências e aprendizados e com isso aprendi a lidar com certas situações. Não que meu pai não me apóie, mas (como posso dizer?)... Sei lá! Tenho que admitir que não tenho tanto apego a ele. Sempre fui mais apegado a minha mãe e sei que isso vai durar para a vida toda.

Enfim...não vou estender esse desabafo, pois a ideia aqui não é quantidade. Apenas encerro falando da grande saudade que eu tenho da “véia” (como eu carinhosamente a chamo). Embora estejamos separados por mais de 2.000 km, no coração estamos unidos, juntos para sempre... Te amo mãe!


sábado, 24 de dezembro de 2011

Assassinato no Natal


Era Natal! Um dia lindo, sem igual. E foi justamente naquele lindo dia que eu tomei a pior atitude da minha vida. Atitude essa que vou carregar em minha mente para sempre.

Qual era a minha situação na época? Desempregado, abandonado pela família, fugitivo do manicômio e o pior... usuário de todas as drogas possíveis e imagináveis. Com sete passagens pela polícia (todos por assalto à mão armada) e com o caixa quase zerado, minha vida estava um verdadeiro inferno!

Sem emprego, roubar era a única forma que eu tinha para conseguir dinheiro e trocar por drogas. Só que estava difícil até de roubar: os “home” (polícia) estavam em uma operação de paz na comunidade e eu não consegui repor a grana que gastei nos últimos dias. Como “cliente especial”, consegui do chefão uma permissão para levar drogas e pagar depois. Eu não sabia, mas aquela foi a pior regalia que eu já tive na minha vida... Pode acreditar!

Passaram-se alguns dias e meu estoque acabou: sem dinheiro, sem drogas. Mulher a te mesmo amigos eram coisas do passado. Foi aí que as coisas pioraram.

Já estava sendo cobrado pelo chefão que, após várias tentativas de paz, foi até meu barraco as seis da manhã, arrombou a porta e me acordou com uma arma apontada para a minha testa, dizendo:

¾ Ou você me paga até amanhã meio-dia, ou pode preparar o caixão.

Eu tremia e suava. Estava muito tenso e só consegui responder:

¾ Tá-tá... tá bom.

¾ Amanhã... Meio-dia. Lá em cima!

Eu estava totalmente ferrado: sem dinheiro, sem drogas e agora jurado de morte.

Porra!!! Isso não pode ficar assim. Pensa, mano. Pensa!

Eu tinha que fazer alguma coisa, se não eu iria morrer no dia seguinte. O fato é que eu já estava loucão a essas alturas do campeonato... A abstinência de dois dias sem usar drogas já me dominava e meu raciocínio já não era tão bom. Só me sobrou uma opção: roubar. Mas como roubar com a polícia no morro? Já sei.
Minha única chance era o "busão". A polícia não entrava nos ônibus; estava fácil. Peguei meu revolver, encaixei-o dentro da caixa com o cabo para fora e cobri com a camisa. E fui... Saí de casa com uma angústia no peito; algo me dizia que eu não voltaria.
A polícia estava rondando por lá: viaturas, homens fardados e até à paisana. Não ser pego seria sorte. E por falar em sorte, consegui escapar da revista. Eu estava bem vestido; de boné e óculos escuros. Acho que não despertei suspeitas.
Cheguei no ponto de ônibus. Olhei para um lado... ninguém! Olhei para o outro... uma mulher grávida. Só eu e ela no ponto. Eu estava nervoso, sei lá! Parecia que estava com medo de fazer o que fiz durante tanto tempo. Enfim, o ônibus passou e ela subiu primeiro, seguida por mim. Assim que entrei, passei o olho por todo o ônibus: algumas cadeiras ocupadas, outras vazias... Diria que metade do ônibus estava ocupado. Enrolei um pouco lá na frente. Minhas pernas tremiam feito vara verde; estava meio zonzo (acho que era o efeito da abstinência). Saquei a arma e resolvi assaltar o assalto:
 ¾ Aê, aê. Isso é um assalto! Todo mundo passando a grana. Vai! Vai! Vai!
A primeira vítima foi um senhor que estava na frente, depois "rapei" o cobrador e parti para a parte de trás do ônibus. Vi novamente a grávida, e em seus olhos o pânico. Ela estava lá no fundão.Não pretendia machucá-la, mas as coisas não funcionaram como eu havia planejado...
Ao lado dela estava um rapaz de cabelo espetado e de óculos escuros também. Já estava na metade quando ele me grita:
¾ Aí moleque! Abaixa essa arma! Polícia.
Ferrou.
Não, não e não! Era tudo o que eu não queria aquelas horas: um policial a paisana.
¾ Não, mano! Foi mal, mas isso aqui é para pagar uma dívida.
¾ Não quero saber! Abaixa essa arma ou você vai tomar tiro!
¾ Não vou abaixar.
Eu realmente estava decidido a não abaixar a arma. Foi aí que o motorista fez uma curva brusca e eu caí e o policial também. Ele disparou a arma e me atingiu no braço. Que dor aquela! Eu tremia e não conseguia focar no policial. Foi quando eu atirei... e acertei... a mulher grávida! Justo ela. Inocente, ela não merecia aquilo.
Ela gritava, meu Deus como ela gritava. Ao ver aquilo perdi minhas forças; meu braço doía muito e quando dei por mim, já estava imobilizado pelo policial.
A grávida parou de gritar e o sangue escorria dentro do ônibus. Antes de ser levado, ainda pude vê-la por uma última vez: estava caída, de olhos abertos, sem piscar... Ela havia morrido!
Como aquilo me atormenta até hoje. Um ano já se passou e me lembro daquela cena como se fosse hoje. Aquela terrível tarde me atormenta todos os dias. Hoje, preso, descobri de alguma forma que não sei explicar, o verdadeiro sentido da vida: o amor, o carinho, o afeto. Coisas que eu não tenho há muito tempo e que eu tirei de uma família. Hoje é Natal e comemoraremos entre nós, detentos. Só me resta a certeza de que Deus perdoa aqueles que se arrependem de verdade e que o próprio nos dá uma nova chance.
Foi preciso uma grande desgraça acontecer para que eu abrisse meus olhos para tudo de tuim que eu estava fazendo. Hoje não penso mais em drogas, bebidas, roubos etc. E hoje também descobri que a felicidade é o que mais importa nessa vida, independentemente de onde e com quem você está. Tudo depende de você!
Hoje sim, por incrível que pareça, sou feliz!
Anthony Lima
25/12

sábado, 17 de dezembro de 2011

O Enfermeiro e a Paciente

Ai caramba, de novo não!

--- Mãããããããe. Eu “tô” passando mal, mãe. Me leva para o hospital, por favor!

Pois é, foi assim que começou aquele dia em que eu conheci essa praga na minha vida que é o Lucas! O Lucas é um enfermeiro que me viu durante cinco dias seguidos quando eu adquiri uma doença que nem eu, nem o doutor, nem ninguém descobriu até hoje. Eu estava bem, quando de repente eu caía ou vomitava, sei lá! Muito estranha! E não deu outra, todos os dias eu estava lá, mas o que quero contar, primeiramente, aconteceu no primeiro dia.

E lá estava eu, após passar no consultório do Rômulo, esperando o(a) enfermeiro(a) me chamar para tomar um lindíssimo soro com Buscopan na veia (naquele dia eu estava com muita dor!). Fui irônica  agora não é? Eu já estava cochilando (de tanto esperar...) quando o cidadão me chama:

--- Camilaaa!!!

Juro que quase respondi assim:

--- Com um grito desse, meu filho, você acorda até os mortos!

Mas eu deixei para lá. Resolvi não me estressar mais do que aquilo. O pior de tudo: não deu jeito! “Se liga” no diálogo:

--- Olá moça, tudo bem?

A vontade era de responder: “Nããão!”

--- Mais ou menos, apenas uma dorzinha básica.

Ele não havia olhado no meu rosto ainda, e quando isso aconteceu... (mas porque isso foi acontecer?).

--- Nossa! Você não é aquela menina lá da festinha do Rafael?

--- Ham... Não!

--- Lógico que era você. Num foi com você que eu “fiquei” aquele dia? Foi sim, foi você!

--- Ah, você tem certeza?

--- Tenho sim! Certeza absoluta.

--- Mas não foi eu não, meu anjo.

Para quê que eu fui falar “meu anjo” ?

--- Claro que foi você! Você me disse isso lá. Não lembra?

--- Meu filho, não foi eu não, caramba!

Bom, por lei, as Camilas já são nervosas, complicadas, enfim... Mas eu sou pior! (modéstia à parte). E aquele moleque não me conhecia. Não me conhecia mesmo.

--- “Ow”, dá para acertar logo minha veia aí?

--- Calma aí meu amor. Você está muito nervoso, se acalma!

--- Eu? Eu não estou nervosa.

Mentira, eu estava sim. Morro de medo de agulha.

--- “Tá” sim.

--- Num “tô” não.

--- “Tá” sim.

--- Num “tô” não.

É, já deu para perceber que a gente se deu bem, não é? Foi assim os cinco dias. Embora fosse causas diferentes, todos os dias eu ia tomar alguma coisa na veia. Aff! E ele me disse que iria sair na próxima semana, pois havia arrumado um emprego melhor. Aí eu pensei e (juro!) quase falei: “Porque não fiquei doente na próxima semana? Oh meu Deus!”. Daí ele pegou meu MSN, Orkut, Facebook, telefone... Na hora tive uma ligeira impressão de que ele iria ficar me perseguindo. Sei lá, foi apenas uma intuição.

E o pior é que a minha intuição estava certa! Pensa num rapaz lindo, mas chato (muito chato) é esse Lucas! Se ele não fosse tão chato, até poderia rolar uma química entre nós, mas não dá mesmo. O moleque me liga; se não atendo ela manda mensagem. Aí eu não respondo a mensagem e ele vai mandar recado em todas as redes Sociais. Ai como isso me irrita!

Tudo bem que essa não é culpa dele, mas tamanha é a “zica” de ele estar no lugar certo na hora errada que... Por favor, isso são fatos verídicos!
 






Vou contar: em um belo dia de domingo eu e a minha mãe fomos ao mercado comprar ingredientes para fazermos aquela carne de panela (Hummm...). De repente, quando chegamos no açougue, quem estava lá? O Lucas, é claro! Ele saiu de seu uniforme para me dar um abraço que eu não deixei. O engraçado é que ele olhou com uma carinha tão bonitinha que deu dó dele. Aí eu disse:

--- Tá bom, pelo menos o beijinho no rosto... Com a mão para trás, por favor.

Ele riu, mas só me deu o beijinho mesmo. Daquele dia em diante, nunca mais entrei naquele super-mercado. Pelo menos ele me provou que era trabalhador: num sei se era ele o melhor emprego que me falou, mas ele foi de enfermeiro a açougueiro em alguns dias...

Já estou terminando meu pequeno (pequeno?) relato, mas antes tenho que dizer que... ele é muito chato! Aaaahhh, eu vou dar uns tiros nele! Pronto, agora que desabafei, é melhor eu ir né? Vai que ele aparece aqui enquanto eu... O quê?

--- O que você está fazendo aqui, Lucas?







sábado, 10 de dezembro de 2011

Sentimentos


Em meio a tantas palavras
Não encontro uma (umazinha!) pra dizer
Qual o sentimento
Que eu sinto por você

Esse seu olhar lindo
Esse seu sorriso perfeito
Olhando para mim e sorrindo
E eu como sempre, sem jeito...

Não sei o porque que estou escrevendo essas palavras
Não sei, acho que para guardar...
O futuro é incerto
E não sei o que dele esperar

De tantas coisas que já vivi
Você foi a melhor que me aconteceu
Meu jeito mudou, minha alegria voltou...
Nem parece eu

Não sei se é amor,
Não sei se é paixão...
Bom, seja lá o que for
É seu meu coração


O Homem da Máscara Permanente


Toda garota tem um sonho; comigo não é diferente. Um emprego, uma faculdade, um carro. Meu sonho (meu único sonho!) é ter aquele garoto para mim. De que adianta eu ter tudo, se não o tenho? O mundo não faz mais sentido para mim...

Eu tenho bastante, estudo em uma universidade conceituada e tenho o apoio de toda a minha família. Na teoria, era para eu ser muito feliz; ah, eu até sou, mas sinto que falta uma parte em mim... A parte que ele levou quando nos despedimos aquela noite depois da festa de debutante da minha prima. De verdade, eu não sei quem é aquele cara, nem de onde veio. Para piorar a situação, nem a minha prima sabe, nenhuma de suas amigas sabe! E o que ele foi fazer lá aquela noite? As vezes fico brava ao pensar que sua presença só me fez bem aquela noite... Porque depois, ele foi embora e não voltou mais. E eu fiquei aqui, sofrendo por ele. Ah, meu amor. Cadê você?. Todas as noites eu penso, penso, penso e espero... Espero ele aparecer na minha janela para que eu possa sorrir de novo.

A esperança é a última que morre e enquanto eu viver acreditarei e confiarei na sua volta. Todos veem em minha face, eu já não sou a mesma! Já não saio mais com minhas amigas, já não tenho mais aquele ânimo de antes... E eu admito (preciso admitir!) que sinto sua falta. Garoto, eu vou ter você para mim novamente. Mesmo que ninguém acredite, o que importa sou eu acreditar. É, é o que importa...

Jamais esquecerei aquela noite que nos conhecemos. No baile de máscaras ele...ele me tirou para dançar. Eu não estava bem, na verdade nem queria ir, mas fui assim mesmo em consideração a minha prima. Mas agora eu vejo que, sem dúvida, foi a melhor decisão que já tomei em toda a minha vida, afinal, o conheci! Dançamos juntos aquela inesquecível valsa: minha máscara permitia ver um pouco do meu rosto, mas a dele não permitia que eu visse nada.

Enfim... Ele chegou em mim, estendeu-me aquelas mãos com luvas de borracha e beijou-me no rosto. Que suavidade, que perfume... Ali ele já me ganhou. Passamos uns dois minutos sem dizer nada, apenas curtindo o momento e dançando. Enfim ele perguntou qual era o meu nome; eu respondi. Mas ele não disse qual era o seu; apenas disse:

--- Eu sou aquele que veio para te fazer feliz esta noite.

Jogamos um pouco de conversa fora enquanto dançávamos e depois que acabou a valsa nos retiramos da festa. Ai meu Deus, como eu estava encantada por ele! Aqueles gestos, sua voz, sua forma de me tocar... precisava ver o rosto dele; era hora de tirar as máscaras.

Aquele momento também se tornou inesquecível para mim: o rosto dele era...era...estranho! Com praticamente toda a parte esquerda de seu rosto queimada, ele me lembrava o Fred Krueger. O lado direito porém, era lisinho, perfeito! De seus olhos saíam lágrimas e as palavras que me disse tocaram o meu coração:

--- Essa é minha máscara... permanente!

Aquilo foi um baque para mim e, acredito, um desabafo para ele. Não sei se consegui responder a altura...

--- Você é especial! O que vale não é isso aqui (toquei seu rosto suavemente)... é isso aqui! (toquei no lado esquerdo de seu peito onde fica o coração).

Nos beijamos longamente; nos abraçamos por um bom tempo. Tenho certeza de que nunca vou vivenciar outro momento como aquele.

Não sei o que mais me prendeu nele (se foi seu jeito, o modo como ele falou comigo ou seu emocionante choro), mas aquele cara me marcou. Passei-o a chamar de “O Homem da Máscara Permanente” e não posso negar que choro ao pensar em como ele está, onde ele está, com quem ele está... Meu grande amor, eu ainda vou ter você para mim!


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Amizade de Busão (Parte 2)

Um certo dia eu estava mexendo no meu celular; pronta para apagar vários números que eu não usava há séculos.
Já tinha apagado todos os não-utilizáveis até chegar na letra “R”. Vi seu nome e, por algum motivo, eu não o deletei da minha agenda. Fiquei matutando comigo mesma e pensando quem era aquele garoto...
De repente lembrei que era a pessoa que havia puxado conversa comigo “do nada” após o ônibus ficar emperrado no trânsito (e que trânsito estava aquele dia!)...
Juro que fiquei me perguntando porque aquele cidadão olhava tanto para mim... “Será que a minha camisa está suja?”, “Minha maquiagem está borrada?”, ou “Será que eu estou linda demais?”.
E você que sempre fala que eu sou linda... Mas não havia motivos explicáveis. “Te achei bacana”. Foi o que você me disse.
Resolvi então mandar uma mensagem cumprimentando-o e você logo me respondeu. Daí para frente, não paramos mais.
E hoje sei o motivo pelo qual falou comigo: você pode ver o futuro, pois estava escrito que seríamos grandes amigos.
E digo mais: hoje eu sei quanto a sua amizade vale a pena. Todos os momentos que passamos juntos de três meses para cá, fizeram valer aqueles três meses que levamos para descobrir essa amizade. Os momentos felizes em que rimos juntos e aqueles tristes em que unimos nossas forças para ultrapassá-los juntos.
Mesmo que me dessem um colar com brilhantes e outras pedras preciosas, não chegariam nem perto do valor da sua amizade... Pois ela não tem preço e nada pode pagá-la (nem Mastercard!)



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