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domingo, 10 de julho de 2011

Só Mais Uma Chance

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Oh Senhor, te peço apenas mais uma chance, apenas uma chance para que eu possa tentar de novo!”.

Isso é o que tenho de vontade de dizer a Ele se tivesse essa oportunidade. Não vou dizer que era perfeito, um ótimo pai, filho e companheiro; não direi isso, pois estarei mentindo, embora falar a verdade não resolva mais o meu problema. Porém, em minha defesa, posso dizer que nunca roubei, nem matei. Era apenas meu estilo.

Claro que gostaria de ter sido mais para todos que estavam ao meu redor, mas não consegui. Tentei com todas as minhas forças, mas minhas tentativas foram em vão. Sabia que só dependia de mim, mas falhei nas oportunidades que eu tive.

Acho impressionante como em um dia a gente chega e no outro vai embora (sem demora, como o ladrão que não marca hora). A vida nos reservas surpresas: umas boas e outras ruins. Eu, particularmente, tive altos e baixos (mais baixos do que alto, digamos), mas nunca perdi as esperanças, até o dia em que atravessei. É...atravessei!

Aqui, já vi tudo o que eu fiz e aprendi que não dá pra aumentar seus dias de vida, mas dá pra colocar mais vida nos seus poucos dias. Aqui, eu percebi o quanto eu fui ausente quando mais precisaram de mim. Nossa, me lembro agora de quando eu estava no bar e minha esposa chegou, na última tentativa de levar para casa: meu Deus, o que eu fiz naquela oportunidade? O que deu em mim para bater nela daquele jeito? Não sei... estava “triloco”, chapado, alcoolizado e o pior: estava drogado. Bom, pelo menos foi a única vez que usei drogas, pois horas depois tive uma overdose e vim parar aqui.

Hoje vejo o quanto a fiz sofrer com minhas atitudes. E o Kauê, meu filhote... Hoje ele tem dois aninhos; pelo menos não se lembrará do mau exemplo que o pai era em casa. Creio que crescerá melhor sem eu por perto.

Mas eu não entendo: nasci em berço de ouro, tinha tudo do bom e do melhor, até que conheci a “marvada pinga”. Praticamente meu único vício. Único, mas que me expulsou de casa, me fez perder um futuro promissor que eu teria em minha futura profissão (engenheiro) e que me distanciou da minha família.

Quando me lembro de tudo que fiz... eu choro! Sei que não vai adiantar, mas choro. E admito: homem chora!

Bom, daqui não posso fazer mais nada a não ser lamentar e me odiar pelo resto da minha morte. Uma coisa é certa: se estou aqui, é porque mereço e isso não mudará mais. Já tive a minha chance e não soube aproveitá-la.

Se eu tivesse só mais uma chance... uma, uma, uma!

*Inspirado em "Amanheceu" (Ao Cubo)

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