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sábado, 24 de março de 2012

Tarde Demais

Eu não imaginei, nem me passou pela mente que a nossa história fosse tomar esse rumo tão dramático para mim. Não houve mortes, nem sequestros como acontecem em alguns romances... Aliás, houve uma morte: meu sentimento por você.

Te conheci por um acaso durante um atendimento onde eu trabalho. Você foi até lá para comprar uma rasteirinha tamanho 37, cor rosa. O atendimento ocorreu normalmente e ao fim, você me pediu meu numero de telefone e disse que havia me achado muito bacana. Eu agradeci, retribuí o elogio e, depois de passar meu numero, peguei o seu para mantermos contato. Nenhum de nós sabia, mas ali começava uma dramática história.

À noite, quando cheguei em casa, lembrei de você: seus cabelos morenos, sorriso metálico, maquiagem moderada, roupas discretas... Me peguei sorrindo e percebi que um sentimento estava nascendo. Peguei meu celular com o propósito de te ligar; disquei os números, mas me faltou coragem. Decidi deixar o tempo resolver as coisas.

No dia seguinte, uma surpresa: meu celular tocando: era você! Atendi no segundo toque:

--- Alô!

--- Eduardo?

--- Oi...sou eu. Tudo bem? Perguntei extremamente nervoso.

--- Tudo e você? É a Suellen.

--- Tudo ótimo. Que bacana você ter ligado.
--- Bom falar com você. Sabe o que é?
--- Ham...
--- Tem um filme bacana no cinema e eu estou sem companhia... Você está disponível no domingo?
--- Que legal! Estou sim; domingo é minha folga. Marcado então?
--- Marcado.
Você estava gostando de mim também. Normalmente as garotas não chamam os rapazes para sair. Isso eu iria descobrir em breve.
Pareceu-me que os dias não passavam para chegar logo o domingo. Enfim, chegou o grande dia. Quando a vi, quase desmaiei tamanha a sua beleza. Você estava com um vestido florido até o joelho (de forma que não a deixava vulgar), cabelos soltos, unhas feitas. Em uma palavra defino sua aparência naquele domingo: radiante. Seu sorriso foi tão belo quando me viu, que ali eu tive a certeza que éramos dois apaixonados.
Aquela tarde ao seu lado foi maravilhosa. Conversamos bastante, demos muitas risadas, assistimos ao filme e ainda tomamos um sorvete. Nunca vou esquecer aquela tarde, onde também nos beijamos pela primeira e única vez. Foi algo espontâneo e muito bacana!
Tudo corria bem, mas aconteceu o inesperado: me transferiram no emprego. Eu, em outras palavras, fui "promovido" e iria ficar seis meses recebendo treinamento no exterior para, quando voltar, ser gerente de setor. O pior é que me avisaram em um dia e eu já viajaria no outro. As passagens, inclusive, já haviam sido compradas - ida e volta dali a seis meses.
Profissionalmente falando, aquilo era o paraíso. Minha carreira caminhava para uma estabilidade sem igual. Mas a minha vida pessoal iria desandar, eu sabia! Liguei para você, te expliquei a situação e choramos juntos no telefone. Disse que estaria de volta em seis meses para ficarmos juntos. Nos despedimos ali, para sempre...
Até aqui, contei tudo o que você já sabia. Mas as próximas poucas linhas serão uma novidade que, com certeza, vai te surpreender e te fazer pensar sobre a atitude que você tomou.
Minha viajem/treinamento foi ótima e, nos seis meses que fiquei fora, adquiri uma experiência muito boa que me rendeu elogios dos meus superiores quando leram meu relatório. Como estava determinado, voltei e conquistei o cargo de gerente do meu setor. Agora só depende de mim para ficar lá o resto da minha vida.
Voltando para a vida pessoal. Cheguei com uma saudade enorme de você. Uma vontade de te ver, te abraçar, te beijar. Cheguei de viajem na sexta e planejava te ver no sábado. É, planejava... mas tive uma surpresa tottalmente inesperada.
Eu sabia que você gostava de flores, e não pensei duas vezes em coprar o buquê mais lindo e cheiroso para te dar. Além disso, me arrumei o melhor possível e fui em direção à sua casa. Que decepção eu tive aquela noite em ver você de mãos dadas e em altos risos com um rapaz. Depois vocês se beijaram, enquanto, no escuro da rua de baixo, eu observava tudo. Para mim, aquilo já bastava. Virei-me e vi uma lata de lixo; joguei o buquê dentro com toda a força em um mix de raiva e tristeza.
Tarde demais.
Talvez você não lembre mais de mim ou talvez sim; não sei. E se não lembra, vai passar a lembrar quando abri essa carta. A gente tinha tudo para dar certo, e você... você fez o que fez comigo sem nem me avisar. Não sei qual será sua reação ao ler isso, e também não quero saber. Faça o que você quiser com essa carta e encare isso como um último adeus.


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