Você Vai Morrer


Meu nome é John. John Snick. Sou psiquiatra e também de alguns casos estranhos que atendo em minha clínica. Normalmente guardo meus textos só para mim; sei lá, não tenho vontade de mostrar para o público o que acontece com meus pacientes. Faz parte da minha ética profissional. Mas sinto que preciso expor os fatos, pelo menos dessa vez. Acontecimentos sem explicação desencadearam um final trágico. Usarei nome fictício para preservar a identidade da família.

Mary Nill era minha cliente desde os nove anos de idade, quando um trauma (um acidente em sua casa) trouxe a ela a necessidade de passar regularmente no psiquiatra. Nesse “acidente”, ocorreu que ela ficou presa no banheiro quando seus pais não estavam em casa – isso foi o dia inteiro. Quando eles a encontraram, ela estava em estado de choque, tremendo... Exames clínicos comprovaram que ela ficou abalada psicologicamente. Na época, o estrago feito pelo acontecimento foi um pouco grave, mas como o passar dos anos, tudo foi voltando ao normal e, mais ou menos um ano depois, tudo havia voltado ao normal. Contudo, seus pais decidiram continuá-la levanto até mim.

Ela era uma boa garota e nos dávamos muito bem. Normalmente uma consulta dura meia hora; no caso dela, passávamos mais de hora conversando. Era muito legal! Sua última visita ao meu consultório aconteceu a mais ou menos um mês. Ela estava estranha; meio assustada. Depois da época do “acidente”, eu nunca mais a tinha visto naquele estado...

¾ Dr. John... Por favor me ajuda!

¾ O que acontece, minha querida Mary?

¾ Parece meio maluco...mas eu tive um sonho onde recebi um “aviso”. De morte...

Sonhos sempre eram causos que deixavam os pacientes encucados. Ela começou:

¾ Na verdade não foi um sonho, foi um pesadelo! É o seguinte: eu estava lá no trampo. Sonhei que estava dormindo lá no refeitório no meu horário. De repente, no sonho, eu acordo, olho no relógio e vejo que preciso passar a digital no marcador de ponto em um minuto... Mas o marcador não estava no lugar dele, mas do meu lado. Aí vem o mais impressionante...

De repente ele se sentiu mal, fugiu a voz e ela ficou branca. Depois de alguns minutos ela ficou bem novamente.

¾ Tem certeza que quer continuar? Perguntei.

¾ Sim, doutor. Preciso continuar.

Fiz-lhe então o sinal.

¾ Aí eu passava a digital e no extrato que sai da máquina (onde ficam os dados e a hora) aparecia uma frase. Uma única frase da qual não vou me esquecer.

¾ E que frase é essa?

¾ “Você vai morrer”

¾ Uau! E quando foi esse sonho?

¾ Ontem.

Gelei. Eu não sou assim, não acredito em sonhos. Mas esse me impressionou e até eu fiquei com medo. Tentei não demonstrar meu estado de espírito depois daquilo e tranqüilizei-ª Expliquei toda a teoria dos sonhos, de modo que ao sair, ela parecia bem mais calma. Aquela tinha sido a última vez que via Mary Nill em vida.

Cinco dias depois estava no meu horário de almoço, assistindo ao jornal que passava na TV. Nos últimos cinco dias, eu havia pensado muito em Mary. Como será que ela estava se sentindo? Eu acabava de obter minha resposta.

De repente um rosto familiar aparece na TV. Era Mary. E ela havia...morrido!

Não, não, não! Como pode? Como assim?

Segundo o jornal, um acidente de trabalho na empresa resultou em sua morte: um toldo luminário que estava sendo montado despencou bem na hora em que ela passava em baixo dele. Morreu esmagada.

Eu fiquei muito mal com a notícia e fiquei sem saber o que fazer. Não voltei mais ao trabalho aquele dia; não conseguia tirar aquele sonho da cabeça. O fato é que ela morreu, e isso não tem mais volta.

Restam apenas perguntas: há uma explicação para a aparição daquela frase na sua vida justamente seis dias antes de sua morte? Teria aquilo sido uma premonição de seu triste fim? Ou, simplesmente, ironia do destino?




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